A
Subseção 2 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal
Superior do Trabalho não conheceu do recurso ordinário de um
ex-empregado da Livramento Veículos Ltda., do Rio Grande do Sul, contra
decisão que determinava o desbloqueio da penhora de 20% da aposentadoria
de uma das sócias da empresa. Os valores serviriam para garantir a
execução de uma ação trabalhista movida por ele.
O caso julgado
teve início com decisão da juíza substituta da Vara do Trabalho de
Santana do Livramento (RS) de determinar a penhora de 20% da remuneração
líquida mensal de uma defensora pública aposentada sobre a qual recaía a
responsabilidade por dívidas trabalhista da Livramento Veículos,
empresa da qual teria sido sócia. A penhora havia sido requerida para
pagamento de dívidas trabalhistas a três ex-funcionários da empresa de
veículos. Segundo consta dos autos, após vários anos de tentativas de
executar a dívida, o juízo determinou a penhora da aposentadoria como
única forma de ressarcir os empregados pelas obrigações não cumpridas.Tão logo tomou conhecimento do pedido de penhora, a defensora interpôs mandado de segurança com pedido de liminar para suspendê-la. Em sua defesa, alegou que a penhora seria ilegal e que havia ingressado com o mandado de segurança diante da possibilidade de que a penhora recaísse sobre pagamento futuro, pois de sua renda dependiam sua mãe e seu marido, ambos doentes e com idade avançada – ela com Mal de Alzheimer e ele com problemas cardíacos.
O juízo de primeiro grau concedeu a liminar suspendendo a penhora. O Regional, ao julgar o mandado, concedeu a segurança, com base no art. 649, inciso VII, do Código de Processo Civil, que garante a impenhorabilidade de salários e proventos de aposentadoria.
Os empregados (terceiros interessados) interpuseram ao TST recurso ordinário onde sustentavam a legalidade da penhora de parcela do salário, desde que garantido a subsistência do devedor e de sua família. Na SDI-2, o recurso teve relatoria do Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, que observou que a jurisprudência consolidada do TST permite a utilização do mandado de segurança para os casos de bloqueio de valores de aposentadoria em face da ilegalidade e arbitrariedade do ato e de inexistência de "recurso eficaz a paralisar os efeitos" deste ato. Mesmo nos casos em que o bloqueio se dê de forma limitada a determinado percentual, completou.
Processo: RR nº 20.354/64.2010.5.04.0000
Fonte: TST
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